segunda-feira, 29 de março de 2010

Hoccus poccus, hoccus poccus

Os sentimentos se confundem e dilaceram a alma como doença mortal. Muitos pensam que amam, mas, na verdade, estão apenas feridos em seu orgulho e cegos de paixão. Lembrem-se: não é amor, e sim a paixão, que machuca e humilha. Os amantes não correspondidos amarguram-se, tornam-se ásperos e intransigentes; descontam sua raiva, seus medos e frustrações naqueles que não merecem sua ira... Suas dores se tornam quase físicas, sempre perdem a fé em si mesmos e são incapazes de enxergar a realidade. Aqueles que são cobiçados, por sua vez, se alimentam da insegurança alheia e tornam-se quase cruéis. Arrasam o coração daquele que os amam em nome de suas vaidades. Os humilhados não aceitam as recusas e persistem, sem perceber o quanto são inconvenientes e finalmente fracassam – dia após dia – em tentativas de conquista, querendo inutilmente reverter a situação. Com freqüência descontrolam-se , gritam, angustiam-se sem saber mais o que realmente sentem. A cada lágrima de desespero e ciúmes, o que era inocentemente denominado “amor” transforma-se em ódio e a nobreza do sentimento esvai-se. Mas existem aqueles que são agraciados pela sorte de serem retribuídos e estes são felizes e seguem a vida deles em paz.

Noite Celta - A lenda de Deirdre